Artigo (Português)

Poucos temas em economia são tão sensíveis como o desemprego. Naturalmente, a primeira razão é que a incapacidade do nosso sistema económico de oferecer um emprego a todos aqueles que o desejam é um grande fracasso, com consideráveis implicações políticas e sociais.Poucos países, além disso, são tão afectados como a França, onde a taxa de desemprego não desceu abaixo dos 8% durante mais de trinta anos.
Mas o desemprego é também uma questão de grande divisão entre os economistas. De facto, as visões sobre o funcionamento do mercado de trabalho são muito diversas, muitas vezes até opostas. A análise neoclássica, que ainda hoje domina a discussão, trata primeiro o trabalho como uma mercadoria como qualquer outra. Walras considerou que as únicas relações às quais a economia política pura, isto é, a economia matemática, podia ser aplicada eram as trocas de coisas por coisas. Mas é muito difícil separar o trabalho da pessoa que o executa, como Karl Polanyi demonstrou.
Como resultado, as instituições e regras desempenham um papel essencial na contratação, despedimento, formação de salários, ou gestão do emprego. É portanto necessário perguntar se é relevante pensar no desemprego com os instrumentos utilizados para analisar os mercados e, caso contrário, como é possível integrar a interacção das instituições na análise.
Outra dificuldade decorre do facto de o salário ser um custo, mas também um rendimento a partir do qual é determinada a procura de bens e serviços, que condiciona a procura de trabalho…

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