CRISPR/Cas9 tesouras moleculares, o novo horizonte da “Cura”?

Nora Yahia
Digrama esquemático de como funcionam as tesouras moleculares CRISPR/Cas9

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Aliminar o genoma viral integrado o grande desafio que os investigadores enfrentam na erradicação dos reservatórios virais no corpo e finalmente na cura do VIH. Parece que o Dr. Khalili e a sua equipa estão no caminho certo com base nos seus resultados recentemente publicados. Adaptando a tecnologia CRISPR/Cas9 (inserir), também conhecida como tesoura molecular, conseguiram atingir e eliminar o genoma SIV em primatas não humanos. O seu trabalho anterior em modelos de ratos já tinha demonstrado que o seu sistema podia remover o ADN VIH das células e tecidos.

Neste novo estudo, investigaram se a tecnologia CRISPR/Cas9 especificamente dirigida contra o genoma viral podia remover provírus embutidos no genoma celular in vivo. Para tal, utilizaram um modelo de infecção por SIV em primatas não humanos colocados em tratamento anti-retroviral. Em paralelo, adaptaram o CRISPR/Cas9, utilizando um RNA guia específico para uma parte do genoma viral, para que pudesse reconhecer especificamente o genoma do vírus SIV. Para entregar o CRISPR/Cas9 em células, utilizaram um vector adenoviral (AAV). A construção inteira forma uma espécie de concha (vector adenoviral) contendo o CRISPR/Cas9. A eficiência da construção para eliminar especificamente o genoma do vírus integrado sem causar danos a nível celular foi validada in vitro antes da transferência para um modelo animal.

p> Nas experiências, três primatas foram injectados intravenosamente com a construção AAV-CRISPR/Cas9.Três semanas após a injecção, a análise da biodistribuição do composto indicou que a construção se encontra numa multiplicidade de tecidos incluindo medula óssea e medula espinal, pulmão, cérebro, baço, gânglios linfáticos, intestinos. A nível celular, os investigadores também encontraram a construção em linfócitos CD4 T, o principal alvo do vírus. Tudo o que restava era assegurar que o CRISPR/Cas9 nos tecidos pudesse eliminar com segurança os genomas virais integrados. A análise mostrou que a excisão do DNA viral integrado funcionou, com eficiências que variam entre 37-92% em células sanguíneas e 38-95% em gânglios linfáticos.

Neste estudo, os autores demonstraram que a injecção intravenosa em primatas não humanos de um vector adenoviral contendo um CRISPR/Cas9 específico do genoma SIV é bem tolerada,bem distribuída por todo o corpo e particularmente nos tecidos e células que compõem o reservatório viral. Além disso, o CRISPR/Cas9 tem a capacidade de excretar os genomas virais nestas células, sem causar danos ao genoma celular. Estes resultados são encorajadores, mas como os autores salientam, precisam de ser confirmados em maior escala e em prazos mais longos antes de passarem aos ensaios clínicos em humanos.

Este trabalho parece promissor e poderia, se confirmado em estudos em humanos, fornecer uma solução terapêutica para eliminar o reservatório. Mas surgem algumas questões. Estamos realmente seguros de que todo o reservatório viral pode ser eliminado? Esta tecnologia também levanta questões éticas, particularmente sobre a manipulação do genoma.

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