Cytotec® será retirado do mercado em 2018

“O laboratório Pfizer France informou-nos da sua decisão de retirar do mercado francês o seu produto Cytotec®, amplamente utilizado em ginecologia fora do MA (fora das indicações a que se destina), que será eficaz a 1 de Março de 2018”. disse à AFP a Dra. Christelle Ratignier-Carbonneil, directora-geral adjunta da agência de medicamentos ANSM, por ocasião do 6º Etats généraux organizado, quinta-feira em Paris, pela associação Link da defesa do paciente.

“Cytotec®, no mercado desde 1987 é muito pouco utilizado em gastroenterologia e é principalmente utilizado em ginecologia”, principalmente para aborto e indução artificial de parto a termo, de acordo com a ANSM. O atraso, disse, permitirá aos fabricantes que já comercializam as drogas Gymiso® e MisoOne®, contendo a mesma molécula (misoprostol), aumentar a sua produção a fim de “garantir o acesso ao aborto medicamentoso”, cujo número é 128.000 declarado em 2015.

O Cytotec® que é normalmente tomado oralmente contém misoprostol, uma molécula que pertence à família das prostaglandinas. “Misoprostol é um grande produto que presta verdadeiros serviços”, sublinha o Dr. Thierry Harvey, um gineco-obstetra, que menciona o seu uso para abortos espontâneos.

Mas é o uso do Cytotec® vaginalmente para induzir o parto a termo de uma criança viável e os graves riscos que isso implica para a saúde da mãe e da criança que é um “escândalo”, acredita a associação Timéo, que fez campanha pela sua proibição com o apoio do The Link. Esta utilização desviada envolve de facto riscos de overdose porque supõe a utilização de um oitavo do comprimido que é doseado a 200 microgramas, o que considerando o seu tamanho (menos de um centímetro) é, no mínimo, arriscado, observa o Dr. Harvey, que está “de pé como um cuco” contra esta prática perigosa, motivada por considerações financeiras. Segundo o obstetra, o risco é de provocar contracções demasiado fortes, e uma fraca oxigenação do feto.

Uma retirada descrita como “boas notícias” por Alain-Michel Ceretti, fundador do Link. “Mas o caso Cytotec® revela a fraqueza da autoridade do Estado em termos de segurança sanitária, um problema no centro dos Estados Gerais”, julga ele. A agência da droga já tinha advertido, em 2013, contra os graves riscos para a mãe e a criança (ruptura uterina, hemorragia …) deste uso. “A lei deve ser alterada para poder proibir práticas identificadas como perigosas”, acrescenta Ceretti.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *