Economia e Estatística No. 451-452-453 – 2012Modelação macroeconómica: continuidades, tensões

Novos modelos keynesianos conhecidos como a “nova síntese neoclássica” afirmam basear-se numa concepção rigorosa da economia. Fazem parte do fluxo de macroeconomia que ligava a análise do ciclo económico a teorias de crescimento a longo prazo, e que tinham dado origem ao fluxo de ciclos reais. Todas elas alargam a crítica de Lucas, segundo a qual só a identificação dos parâmetros do problema de decisão dos agentes permite evitar os erros associados às leituras directas das regularidades econométricas. Só esta identificação permite evitar situações de equivalência observacional, quando o mesmo “facto empírico” pode enquadrar-se no âmbito de várias teorias, exigindo acções totalmente divergentes por parte da política económica. Ao propor bases rigorosas para ajustamentos a curto prazo, que a geração anterior da “primeira síntese neoclássica” normalmente só esboçou, estes modelos exibem um elevado nível de ambição. Para responder às flutuações, introduzem “choques” de vários tipos, que também afirmam ter fundamentos microeconómicos. Estes choques resultam em equilíbrios intertemporais “perturbados”. Além disso, levam-nos a prestar atenção à consistência do comportamento descrito num modelo. Estes modelos têm muitas vezes a desvantagem de serem complexos e complicados, o que os torna difíceis de compreender. Utilizando um modelo simples típico desta corrente, o apresentado por Peter N. Ireland em 2004, apresentamos as características básicas deste modelo, situando-o em relação a outras sínteses de macroeconomia. A partir desta estrutura básica, o enriquecimento permite o aprofundamento dos problemas submetidos à análise macroeconómica, com por vezes dificuldades em fazer coabitar a exigência de coerência, e a preocupação de realismo.

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