Jean Piaget – A Obra


Quantidades Físicas

Geral
Problemas de Conservação Física
Classificação de Respostas e Desvios Horizontais
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Geral

Como Meyerson mostrou no seu trabalho sobre epistemologia histórico-crítica, os princípios de conservação de peso, força, etc., constituem um dos fundamentos das ciências racionais da natureza. Após a investigação sobre o objecto permanente (JP37), a investigação sobre o desenvolvimento de quantidades físicas realizada por Piaget e Inhelder nos anos 40 aparece como uma extensão desta descoberta (JP41a). O estudo da psicogénese dos princípios de conservação física tornou possível:

    (1) modificar as teses de Meyerson, trazendo-lhes a iluminação da teoria matemática dos grupos já utilizados para modelar e explicar o pensamento lógico-matemático da criança;
    (2) para revelar uma nova faceta do pensamento da criança, mais uma vez contribuindo para enriquecer de forma extraordinariamente frutuosa a ciência psicológica da inteligência.

Quando os seres humanos, e especialmente as crianças, se confrontam com o mundo físico, estão constantemente a mover objectos, a transportá-los, a verter líquidos de um recipiente para outro, a mergulhar objectos sólidos em líquidos, etc. Estas acções são constantemente acompanhadas por conceitos e actividades mentais. A força de Piaget é que ele foi capaz de prestar atenção a estas acções, noções e actividades.
Ele fez isto nos seus estudos sobre a representação do espaço, mostrando, por exemplo, como a estruturação completa do espaço representativo envolve a génese das noções de conservação de comprimentos, áreas e volumes. Fê-lo também no seu trabalho sobre a génese das noções de velocidade, movimento e tempo na criança.
mas, por outro lado, não omitiu o olhar para as propriedades físicas da matéria, o seu peso, a sua densidade, e depois, a outro nível, o da causalidade física, para as forças que nela trabalham.stas propriedades da matéria, e antes de mais as que lhe dizem respeito fora de qualquer ideia de causalidade, darão origem aos estudos de psicologia genética que se encontram entre os mais conhecidos, juntamente com os relativos à génese do número e às operações lógicas elementares. Estas incluem as espectaculares investigações sobre a conservação da substância ou da própria matéria (o bem mais imaterial de todos, uma vez que só pode ser medido através de outras propriedades como o peso ou a massa), a conservação do peso, e finalmente a conservação do volume físico.
Exposto no livro “The Development of Physical Quantities” (JP41a), estes estudos são complementados por outros, menos conhecidos, mas que são também indicativos da concepção que a criança tem da materialidade do mundo. conservação da matéria é estudada através de várias situações, uma das quais diz respeito à conservação de uma substância sólida, mas maleável, como a argila ou a plasticina: se uma bola de plasticina for deformada, ou se for seccionada, a quantidade de matéria muda? (fig. 28)
A menos que identifiquemos a propriedade da substância com a do, digamos, peso, ou a menos que a identifiquemos com o volume que ocupa, não há nada a medir quando consideramos uma coisa como um pedaço de barro. Como poderá então a criança afirmar a conservação da substância?
Como poderá, de forma mais pragmática, reconhecer como justas as divisões em que o seu pai se entrega quando distribui chocolate ou xarope aos seus irmãos e a si próprio? Será o facto de se subdividir em quadrados iguais que, ao mesmo tempo que apazigua as crianças, as levará ao julgamento da conservação da matéria? A investigação sobre a conservação da argila mostra que esta não é a chave para a solução.
Outro problema levantado pela conservação da substância é o da sua ligação com a noção de objecto permanente. Esta noção é construída durante os primeiros dezoito meses após o nascimento da criança. Porque é que a criança não compreende imediatamente a conservação da quantidade de matéria que compõe este objecto? Existe também aqui um enigma, ao qual o estudo da conservação da argila fornecerá uma solução.
As conservações de peso e volume
As investigações de peso e volume, os problemas com que as crianças são confrontadas são semelhantes aos colocados pela substância, mas adiciona-se à situação um equilíbrio ou um recipiente contendo água, o que permitirá dar-lhes forma concreta (fig. Após modificação, por seccionamento ou alongamento, de uma das duas bolas de plasticina, as perguntas são sempre aproximadamente da mesma forma. Para o peso: “É mais pesado, menos pesado ou o mesmo?”. E por volume: “Ocupa mais, menos ou a mesma quantidade de espaço?”, ou “Será que a água subirá a mesma, ou mais neste copo, ou naquele?”?
Problemas adicionais…
Acima de tudo, as noções de peso e volume apresentam aspectos que, em comparação com a da matéria, complicam tanto os problemas que as crianças devem resolver como a interpretação a ser dada às respostas dos sujeitos. Estas noções são, de facto, peculiares na medida em que não são desprovidas de uma ligação à causalidade: peso, porque se manifesta através da força, e volume físico, porque envolve densidade.
Para compreender melhor as dificuldades particulares encontradas pelas crianças quando confrontadas com o problema da conservação do volume, foram então efectuadas mais investigações que puseram em jogo a dilatação (fig. A fim de compreender melhor as dificuldades particulares encontradas pelas crianças quando confrontadas com o problema da conservação do volume, foram então realizadas mais investigações que envolveram a dilatação (fig. 31) ou compressão da matéria e que permitiram definir a noção de densidade (JP41a).
Para a noção de peso, por outro lado, foi necessário esperar até aos anos 70 e novos estudos sobre a causalidade física para a questão da sua relação com o conceito de força a estudar (EEG29).
Mas as noções de substância, peso e volume também envolvem intuições que “atomizam” o objecto considerado. Qualquer objecto sólido, como qualquer objecto líquido encerrado num recipiente, forma um todo compacto. Se, excepto no caso da transparência, a percepção não consegue penetrar dentro deste todo, o pensamento pode fazê-lo através do conceito.
Confrontada com o objecto, a criança implementará assim aquilo a que Bachelard chamou intuições atomistas (por outras palavras, imagine que a matéria é composta de átomos).
Não são estas intuições a chave do acesso das crianças aos julgamentos de conservação material, bem como à quantificação da substância, peso e volume aos quais os julgamentos de conservação estão naturalmente ligados?
É para responder a estas questões que outras situações são criadas pelo psicólogo. Como é que a criança representa a dissolução do açúcar na água? A matéria, peso e volume do objecto dissolvido permanecem os mesmos? (fig. 32)
Finalmente, uma vez que matéria, peso e volume podem dar origem a actividades operacionais (adição, seriação, etc.), são criadas situações para estudar como estas actividades funcionam quando não se trata de seres lógico-matemáticos (como nos estudos de número), mas sim sobre as propriedades materiais do objecto.
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h3> Classificação das respostas e deslocamentos horizontais

A encenação das respostas das crianças às três situações de conservação de quantidades materiais levanta um problema particular, relacionado com os deslocamentos horizontais que se encontram entre julgamentos sobre substância, julgamentos sobre peso, e julgamentos sobre volume.
A descoberta destes deslocamentos é em si um resultado importante da psicologia genética. Embora a forma lógica dos argumentos e juízos sobre substância, peso e volume sejam estritamente idênticos, mais de um ano separa as alegações de conservação de substâncias (as primeiras adquiridas) das alegações de conservação de peso.
Simplesmente, mais de um ano separa as afirmações de conservação de peso das afirmações de conservação de volume, noção cuja aquisição se completa no final do período de desenvolvimento do pensamento concreto, ou na fase formal se o sujeito é questionado sobre o volume não só do objecto em consideração, mas também do lugar que ocupa no espaço (este último problema, no entanto, envolve noções que fazem parte do desenvolvimento da representação espacial).
É assim que se distribuem as respostas das crianças às questões de conservação da matéria, peso e volume, bem como aos problemas relacionados com o atomismo, dilatação dos corpos, e actividades operacionais sobre quantidades materiais.

    – Na primeira fase, apenas se aborda a conduta pré-operatória que envolve as noções de substância e peso.
    – Na segunda etapa (subdividida em duas) estão dispostas as chamadas condutas intermediárias e de conservação relativas à substância, e, ainda, as condutas pré-operatórias relativas ao peso.
    – Na terceira etapa, também subdividida, estão dispostas as condutas intermediárias e operatórias relativas à noção de peso, e aquelas, pré-operatórias, relativas à noção de volume.
    – Finalmente, o início da quarta etapa trata das condutas intermediárias relativas ao volume, e o fim, das condutas operatórias relativas ao volume.

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